Certamente não há cidade que tenha tantas, e há tanto tempo, instituições e serviços atentos à violência doméstica, esta chaga maior que ainda aflige a maioria das famílias não só de nossos pagos, mas de todo o mundo.O só elencar as inúmeras iniciativas revela a enorme preocupação de Santa Cruz do Sul com as questões de gênero. Começou com um Posto Policial da Mulher, que evoluiu para a Delegacia de Polícia para a Mulher. O Grupo Mulher e Cidadania e o Fundo Municipal da Mulher permitiram a instalação do JUSMulher e motivaram a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e do Centro de Referência da Mulher. O Escritório Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher e o programa Simplesmente Mulher referendama atenção que o tema vem merecendo ao longo do tempo.Mas todo este leque de ações precisava ser levado ao conhecimento detodos. Daí esta bela iniciativa que só poderia ser orquestrada por Lúcia Helena Cardoso, esta mulher incansável que dedica sua vida a uma nobre missão: resgatar a dignidade do universo feminino. Como sua trajetória de vida é marcada por sonhos e ideais, não mediu esforços para, através desta publicação, despertar a consciência da sociedade para um problema que é de responsabilidade de todos.Dois anos foram necessários para juntar um punhado de artífices, artesãos e protagonistas. Uns contam a história das instituições que ajudaram a construir; outros analisam com profundidade as origens, causas e consequências da violência doméstica.Oresultado não podia ser outro:uma obra densa e completa que irá se incorporar à história de Santa Cruz do Sul como um marco sinalizador de quem sabe que é preciso mudar a realidade.Trata-se de importante publicação que certamente em muito contribuirá para acabar com o pacto de silêncio que vitimiza as mulheres: em nome da preservação da família que protege a figura do agressor. Seja esta obra o espelho de exemplos a serem seguidos para que, como canta nosso hino, sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra.